Olá!

A casa é sua

domingo, 31 de março de 2013

Desbravar

Boa noite, andei tendo pesadelos, lembranças de um passado que eu quero esquecer, confusões que me fazem refletir sobre em que caminho, ao certo, estou.
Tenho pedidos a serem feitos, clichês como todos os anteriores e que nem sempre sairão com palavras, na maioria das vezes, não.
"Insegurança" é a palavra da noite, o céu está bem nublado lá fora e eu só queria ver as estrelas, o vento está bem frio também, não acha? Essa blusa não está resolvendo nada.
Vou sair amanhã cedo, bem cedo, "partindo para o desconhecido", que exagero, não?
Me sinto desbravando o mundo, me sinto desbravando o meu interior também, é ele que mais assusta.
Ideais estão no meu travesseiro, eles fazem barulhos na minha orelha todas as noites, vou leva-los amanhã, quem sabe reconstruir alguns deles, esquecer outros, firmar alguns mais.
Dentro da mala também vai seu rosto.
Se meu passado vier me assombrar de novo, vou tirar de dentro da mala o seu sorriso e lembrar que eu não estou mais sozinha.
Na bagagem de mão estou levando canções, todas alegres, elas evocam coisas boas e espantam qualquer maldade.
Vou indo, falando a língua do coração e certa de que as pessoas me entenderão.
Vou indo, sabendo que vou voltar e que tem gente me esperando, que você está me esperando.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Caturrando



Vejamos o nascer ou o pôr do sol pelo menos uma vez por mês daqui pra frente e até o fim das nossas vidas, tudo bem?
Ouvir músicas boas para nós também, mas quem sabe, pelo menos uma vez ao dia.
Afinal, música é quase essencial, como comer, beber, dormir e entre tantas outras coisas.
Podemos também ver filmes que ninguém mais presta atenção? Velhos, novos, qualquer filme, desde que se finde a temporada "ver filme sozinho".
Podemos discutir sem brigar? Podemos praticar a escuta?
Quem sabe conversar sobre coisas triviais e coisas sérias sem ter que ficar olhando o relógio ou se distraindo com programas de TV?
Silêncio, ah, é mesmo o silêncio.
Podemos ficar em silêncio? Os olhos também falam, não falam? As vezes falam melhor e mais bonito que nós...
Queria fazer um zilhão de perguntas que permitissem que o tempo infinito ainda se mostre pouco diante delas e que sendo assim, elas o obrigassem a ficar, responder e pensar diante dos meus olhos.
Não sendo possível, torço para que o mesmo que trouxe-o aqui deixe-o ficar.
Com perguntas ou sem, apenas fique.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Reflexão de uma passageira


Siga em frente! Sempre em frente!
Olha pra trás não vai mudar a estrada que passou.
Então siga em frente.
Você encontrará bifurcações em que terá de escolher pra que lado ir, mas você não está mais sozinho.
Seja pra que lado escolher, apenas tenha certeza disso.
Se tiver de parar, pare, melhor que cometer insanidades.
Se tiver de correr, corra e sinta quanto vale a vida.
Mas lembre-se, não está sozinho.

É difícil de entender como encontramos um passageiro.
Tudo é individual, tudo.
Ai surge um passageiro e ficamos pensando o quão real ele é.
Será um fantasma?
Minha sombra?
Um devaneio?
Não é um passageiro.
Mais difícil ainda entender porque ele não vai embora, se deixa ficar, entrar em caminhos errados, correr, parar, demorar, apenas está lá e isso faz toda a diferença.

Deveríamos todos nos tornar passageiros.
Mas o mundo é individual.
Feliz quem se permite ser passageiro.
Siga sempre em frente, se você tem um passageiro, não está mais sozinho.

terça-feira, 19 de março de 2013

Durando, perdurando




Temos o sol acima de todas as nuvens escuras. 
Como pude me esquecer disso por alguns momentos? 
Vi o sol no meio do dia cinza, juro que vi, ninguém mais viu, só eu, acredite em mim. 
Vi a diferença e meus pedidos simples, feitos ao céu, serem respondidos por alguns instantes...
Que perduram...
Que perdurem...
A calma, a luz, que dure.





quinta-feira, 14 de março de 2013

Loucura



Sabe... tem muita gente normal por ai, gente que repete todos os dias a mesma rotina e tal.
Todos acabamos um pouco presos a isso, afinal, neste século quem é que foge da rotina?
A diferença está na loucura, o mundo seria melhor se todos nós fossemos loucos, louquinhos.
Eu aqui, acostumada a ter de guardar toda a minha loucura colorida perto dos escravos da rotina, acabei por achar um outro louco colorido por ai.
A gente sempre se esconde perto dos normais, sempre. Sempre nos fingimos de sérios, centrados e frios. E foi assim que eu descobri o louco por ai, louco que é louco se ofende quando o chamam de normal.
Eu o chamei.
Desde então descobri o quão feliz é o louco disfarçado de normal.
O quão juntos estaríamos se o mundo fosse tão louco como nós.
E o quanto eu fujo disso insistentemente, afinal, foram tantos os normais incapazes de entender todo o festival de cores (escuras e claras) a dançar dentro de mim.

Loucos, louquinhos seremos.
Que um dia o louco colorido se dispa de sua cara normal diante de mim e diga que a minha loucura é parecida com a sua e que por isso, escolheu andar ao meu lado no mundo da rotina e no nosso mundo. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

8 De Março


No que se transformou o dia 8 de março de 2013?
O que você, mulher, está esperando desse dia além dos "parabéns"?
O que você, homem, está pensando quando deseja isso a sua esposa, namorada, amiga, colega ou mesmo alguém que você costuma não dar nem bom dia, mas hoje, por educação, resolveu dar parabéns? Super normal.

Se os parabéns que você recebeu ou desejou é por toda nossa feminilidade, nosso poder de ter filhos, de cuidar da casa e deixar ela super arrumadinha, por favor, pare por aqui. 

Dia 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres, é um dia de luta, faz 156 anos que mulheres morreram dentro de uma fábrica, queimadas, lutavam por igualdade.
E enquanto essa igualdade não tiver sido alcançada, hoje não é dia de comemoração, só se comemora o que já se conquistou. 

Dia 8 de Março é dia de lembrar que a cada 15 segundos uma mulher é agredida por um um homem no Brasil. (Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, AGRESSÃO.) Violência que muitas vezes partem dos parceiros.

Dia 8 de Março é dia de lembrar para nós, mulheres, que não importa a roupa que estamos usando, o quão lúcida estamos, ninguém tem o direito de invadir o nosso espaço sem que tenha nossa permissão. Dia de lembrar para os homens que uma mulher não é propriedade dele, inferior a ele e  não deve demonstrar submissão independente do estilo de vida que ela leve. Dia de olharmos no dicionário o que significa a palavra NÃO.

Dia 8 de Março é dia de lembrar que não somos uma massa de bolo homogênea,  que somos lindas magras, altas, gordas, baixas, com maquiagem, sem maquiagem, de unhas feitas, de salto, de tênis, de chinelo e não importa quem tente nos convencer do contrário.

Dia 8 de Março é dia de lembrar que não assinamos nenhum contrato dizendo que cuidar dos filhos, limpar  a casa, fazer compras é só nossa obrigação.

Dia 8 de Março é dia de lembrar que nós temos desejo sexual e não somos menos gente por isso, que sentimos calor e que usar short não é um convite, é calor mesmo.

Dia 8 de Março é dia de dizer a um homem que levar uma cantada é extremamente desagradável e fazer das nossas respostas um costume.

Dia 8 de Março é dia de LUTA contra o Patriarquismo e não dia de FIRMA-LO.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Eu sou assim mesmo, sabe, não tem jeito

Eu sou assim mesmo, sabe, não tem jeito.
Fico indignada com o mundo ao mesmo tempo que o amo de forma desvairada.
Adoro o sol mesmo que ele me dê dor de cabeça.
O nervosismo me pega quando falam de alguma coisa que não conhecem de forma preconceituosa, discuto esquecendo de quem é o interlocutor, não é por mal, muito pelo contrário, é pelo bem, não ter preconceitos só podem deixar uma pessoa melhor!
Gosto do vento e de quando ele me arrepia a pele.
Gosto de ler coisas que vou me lembrar depois, gosto de escrever coisas que me esvaziem a angústia, o amor e as dúvidas.
Sou assim mesmo, sabe, não tem jeito.
Sou mulher e não acho isso ruim, discuto com quem o acha, me dou o direito de amar, tocar, socar, falar palavrão, beber e fazer bobagens e quem faz mais bobagens que eu, parabéns!
Sou grossa algumas vezes, não tenho paciência o tempo todo, não tenho paciência, não me dou bem com ciúmes, ele me angustia antes de traição, eu sou traída pelos ciúmes e isso não tem nada a ver com ninguém, só comigo, eu sou ciumenta, independente de pra quem isso se direciona.
Eu durmo pra não ter que explicar porque estou distante, de cara feia ou chorando.
Eu invento dores físicas pra não ter que explicar o que dói por dentro, quando os dois inventam de doer, eu durmo muito mais.
Eu ouço músicas que me tocam a pele e a alma, eu danço quando não tem ninguém olhando, eu dou risada de mim e sinto raiva de mim.
Eu sou assim mesmo, sabe, não tem jeito.
Além do vento, letras e cenas também me arrepiam.
Sou romântica, ah que droga, sou sim. Espero palavras que não chegam, flores que não nascem, abraços apertados e confortáveis, que não errem, que me passem segurança no meio de toda a insegurança.
Sou uma comédia, perco horas lembrando de momentos engraçados e morro de rir como se eles estivessem acontecendo naquele momento, dou risada de coisas que ninguém mais entende, eu gosto de rir até a barriga doer, acho que a graça está nisso.
Eu sou assim mesmo, sabe, não tem jeito.
Mas não sou assim por mal ou por bem, simplesmente sou e não sei até que ponto isso é bom ou ruim, mas não sei me concertar.
Aceito aceitações, compreensões e um pouco de romantismo pra deixar meu eu mais desse jeito.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sem eu-lírico

Eu realmente gosto de você.
A frase termina com um ponto final porque infelizmente não tenho mais o que dizer e esse texto poderia terminar aqui.
Mas o que eu realmente queria poder falar é que: Eu realmente gosto de você, mas preferiria não gostar.
Maldita diferença que um ponto e uma vírgula tem na vida real.
As claves de diferença entre o que eu espero e o que é, em alguns momentos doem no fundo da alma, como eu não a vejo, a dor chega na boca do estômago, como um soco bem dado justamente na hora da fome e o oco que está dentro de você parece que faz a dor latejar mais forte.
Por que mesmo a perfeição não existe?
Malditos sejam os livros de romance, todos eles!
Maldita seja a imaginação que me rende algumas palavras, ela toda!
Por que ao invés de um doce afago no final do dia, seus problemas superam qualquer vestígio de bem-querer e sucumbi no frio de toda a indiferença?
Por que as palavras que diz, algumas vezes não vão de encontro com o que costuma fazer?
Por que, quando em vez, tenho a sensação de ser apenas outro fantoche que leva as agulhadas de uma noite mal dormida sua?
Serão esses os momentos em que a realidade cai em mim e ela dói na boca do estômago acostumado a receber o manjar doce da imaginação que sonha com desfechos tolos para uma história naturalmente torta?
(Meus textos nunca são curtos quando falo de você...)
Como queria poder evocar um eu-lírico poderoso, inventar mais uma história nos moldes de sempre, deixar alguém ler e se perder por entre as linhas e encontrar-se estasiado. Não dá.
Tenho ânsia de conseguir feri-lo nos momentos em que meu estômago dói, porém ele puxa as palavras pra dentro e as tranca, talvez elas só devam doer em mim. Depois da anestesia das palavras, a dor passa, não consigo mais feri-lo.
Que eu crie coragem ou muros que me livrem ou escondam ou amenizem as tuas manias.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Para a luz distante

Sinto falta do que não foi, não existiu, chegou na porta mas não deixou-se entrar.
Sinto medo do que passou, do que passa, do que passará.
Queria te vislumbrar em toda coragem de luta, antes de luta pelo mundo, luta por tua liberdade.
Estou longe demais para isso...

Conseguir um sorriso nascente, crescente, no canto de tua boca já me é realizador.
Pensar e falar bobagens, fazer graça, rir das graças do mundo torna-se fácil.
Acho que a tua luz prospera para minha brilhar também.
Tantas realizações, ver teus passos ainda que de longe e vibrar baixinho e escondida por elas.

Seja luz em vida e ilumine-me.
Seja força na luta e encoraje-me.
Seja perto, ainda que distante e dê-me esperança.
Quero estar contigo...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Eu-comigo

- Bom dia, como se sente hoje?
Percebi que era um diálogo de eu-comigo.

- O dia amanheceu notoriamente nublado, amanheceu com sensação de "deveria ficar na cama por mais tempo, até amanhã quem sabe". Odeio a impotência diante do tempo que nos faz levantar e viver independente do quão dispostos estamos pra isso.

- Hum... que mais?

- Já percebeu  que as vezes você acorda para o futuro, as vezes você acorda para o passado?
Hoje eu acordei para o passado e para o futuro.
O que eu poderia ter feito antes que tornaria meus dias hoje melhores?
O futuro se mostra como o dia de hoje, nublado e preguiçoso. Sem perspectivas. Apenas a ruim sensação de que vou estar como todo mundo. Da onde foi mesmo que eu tirei a brilhante ideia de que seria diferente?
Tem dias que a gente acorda pra sonhos, tem dias que a gente acorda pra pesadelos.
Hoje eu acordei pra nenhum dos dois. Tenho tanto sonho que as vezes perco a noção da realidade, quero correr atrás deles, sabe? Mas agora não dá, nem sei se vai dar. Tem sonho que depende de mim, sonho de depende dos outros, sonho que depende de mim e de mais gente, sonho pra tudo quanto é gosto. Mas tem dias que eles recebem alguns banhos de água fria, acho que hoje eu devo ter sonhado que estava no meio do Alaska, eles acordaram meio congelados.

- Sei... mais alguma coisa?

- Não sei... hoje eu queria poder estar contando isso pra mais alguém... Que não fosse eu mesma, sabe, meu reflexo no espelho. Nada contra, estou sendo muito prestativa ao estar me ouvindo, mas falar com voz pra outros ouvidos funciona melhor...

- Sério?

- Você ouviu tudo que eu disse antes?

- Algumas partes, estava olhando algo intrigante no espelho.

- Ótimo, e o que era?

- Nada importante...

Quando nem eu me escuto mais.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O ar acima de nós

Há um ar que não foi contaminado pelo pesar de todos os erros.
Há um vento que sopra constante e iminentemente sobre mim, sobre você, sobre todos nós,
Sempre quando a vida começa a perder o sentido,
A brisa suave ou o vento impetuoso chega.

Para nossa busca por liberdade, sempre ouvimos o ruído e pergunta "Você quer ser livre?"
E se tanto a buscamos, por quê temos medo de responder ao tal ruído?
Para nossa busca por alegria, sempre ouvimos o ruído fazendo uma nova pergunta "Você quer ver o horizonte?"
E se tanto queremos sair do lugar que nos limita, por quê escolhemos nossas prisões?

Tenho que dizer que o vento não vai embora, ele não parará de soprar e perguntar ainda que insistamos em não responde-lo.
Ele só existe porque não vive sem nós, independente de ignorarmos suas perguntas e suas saídas.
Ainda que escolhamos os nossos labirintos, a saída está no vento.
Siga-o

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Secreto

Gosto de comparar essa história de amor com o que todas as pessoas, digo, a grande maioria, esperaria de uma história de amor, uns clichês que não funcionam.
"As coisas boas vem com o tempo, as melhores de repente".
Não, não... se isso é regra eis aqui a exceção. Eles se conhecem tão bem quanto as riscas da mão de cada um deles, desde crianças e das brincadeiras infantis, são amigos.
"Quando se ama de verdade, não há sofrimento."
Eles amam de mentira, então, desde quando o amor é sinônimo de abstinência de dor?
Eles sofrem, mas sofrem juntos, a dor de um é a dor do outro.
"Amam-se, são iguais"
Eis aqui o maior clichê que não deu certo pra eles. Eles são água e vinho, dia e noite, calor e frio, opostos. Dispersos. O mundo conspiraria pra que eles nunca se unissem, o maior desafio até hoje foi quebrar as leis da física de que eles nunca se misturariam, se misturaram tanto que hoje é difícil separa-los sem levar sequer parte do outro.
Brigam. Choram. Passam dias sem se falar. Xingam-se.
Se amam, tanto que até dói de ver.
É real, já não acreditam mais em contos de fada.
Talvez eles invertam os papéis.
Ela sonha, ele acorda. Ela fala, ele escuta. Eles dormem e acordam com a certeza de que a cada dia será mais difícil, mas o reencontro compensa.
Dançam, os corpos soam, falam entre si, sussurram, beijam-se. Não há quem escute a linguagem que só eles falam.
É secreto.
É amor que não coube ainda num livro.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Um mesmo dia, duas rotinas.

São Paulo.
18h59.
Um dia depois do fim do mundo.
Três dias antes do natal no ocidente.
Tudo como sempre foi, como deixou de ser, como hoje é.
Minha presença aumenta a tua melancolia.
Tua ausência coloca em risco a minha existência.
Ou seria a existência do que (ainda) habita em mim?
Um dia de chuva.
Um dia de dezembro.
Um dia perfeito para um copo de cerveja.
Um dia perfeito para amigos.
Um dia perfeito para toda a solidão.
Um dia perfeito para segurar lágrimas. Tudo já está bem molhado, a chuva não para.
Nunca gostou de chuva.
Hoje gosta.
Nunca gostou de chuva.
Continua não gostando.
A perfeição de fingir com as palavras e atrás delas disfarçar emoções.
A imperfeição que falta com as ações, elas desmentem as palavras, contam a verdade.
A imperfeição com as palavras, elas revelam as intenções, segundas, terceiras, sempre há.
A perfeição em transformar-se em mártir.
Ouvir músicas tristes, um dia depois do fim do mundo.
Hoje é o fim do mundo.
Ouvir carros, ouvir risadas, menos a si.
Hoje é o mundo individual.
19h08.
Não demorou.
As palavras aqui são verdadeiras.
O único lugar que se pode contar a verdade, meu papel.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Montanha e Céu


A maior das montanhas jamais encontrará o céu. Talvez por isso ou por qualquer outra coisa, ela o tenha amado.
O que é real é que não foi decisão, foi a vida mesmo.
O desespero de estar sonhando e correndo com toda a ânsia para o além, esperando que no mais alto ponto, todo o brilho escuro do céu a noite, toda a escuridão azul do céu de dia encontre com a curva sinuosa do topo da montanha e ao acordar, a montanha está no mesmo lugar, com a mesma distância.
Quando em vez, o céu manda nuvens, claras ou cinzas que passam muito perto da montanha.
Pobre montanha, vê-se sua esperança. Céu indeciso, pra que tuas nuvens se não vens a ela?
Desde a formação do mundo, vê-se a mesma cena de amor ou dor.
Dizem alguns que a história terá fim e que ela será em conjunto com outro fim, o fim do mundo.
Ali o céu vai cair, a montanha vai cair, as nuvens se misturarão com a poeira e eles serão um só.
Uns chamam de decadência, outros de tragédia, prefiro chamar de um novo começo. (Re)começo.



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A pausa

Quando se chega na pausa,
No breve intervalo entre o viver e o sobreviver,
Todos os seus pensamentos se voltam para o que você viveu,
Até hoje.

Quando se sente o escuro
E a única luz que você enxerga são suas próprias palavras
Que tentam se fixar
E tirar a faca fincada machucando seu peito.

Quando o peso de um crime que não cometeu
Começa a pesar nas suas costas
E todos os olhares que seguem seus passos dificultosos
São para te acusar.

Você descobre a solidão
Você descobre a invasão que o mundo causou e deixou um buraco
Entre o coração e pulmão e já não tem mais ar.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Indefinido

(Não estou certa se quero que esse texto soe como poesia, não tenho certeza de nada, na verdade.)

Seria muito interessante,  muito interessante mesmo, se as pessoas parassem de me enxergar como "o ser que não erra". Durante muito tempo carreguei esse peso comigo.
- Não, Talita, você não pode cair! Você tem que levantá-los. 
- Não, Talita, tenha fé! Seja pisada, jogada de um lado a outro, esquecida, aguente todo tipo de grosseiria, um dia, UM DIA, as coisas vão mudar.
- Não, Talita, você não consegue ver? As coisas já mudaram muito, como tudo está mais lindo hoje né?

Ó céus, quantas vezes eu não disse isso para mim mesma esperando que fosse uma voz divina?
A realidade é que não consigo mais ouvir essa voz. 
E que não me declaro disposta a continuar ouvindo grosserias  hoje reconhecidas como violência, com a esperança de que um dia as coisas mudem. 
"Quero a sorte de um amor tranquilo" sabe?
 Não sei mais fazer aquilo que sempre fiz de esperar calada, de chorar e chorar e chorar, perder noites de sono esperando que alguém me perdoasse simplesmente por ser humana.
De pedir desculpas como se tivesse cometido um assassinato todas as vezes que deixava toda a grosseria que jogaram em mim e eu sutilmente guardei. 
Quero, gentilmente, pedir que me deixem errar! 
Por favor, entendam o meu lado humano!
Me deixem exprerimentar o que vocês vivem sentindo, esse tal de ter dúvidas declaradas, que podem ser contadas e sentidas como se eu tivesse a obrigação de entende-los e acalenta-los como crianças sem mãe.
Porra! Eu não sei mais ser assim.
Eu preciso me sentir, preciso descobrir quem EU sou. Não quem eu queria muito ser. 
Percebem o abismo que existe nesse intervalo? 
PERCEBEM?
Por favor, digam-me que percebem. 
Queria poder cobrar de vocês que me entendessem, apoiassem, oferecessem ombros como eu fiz com vocês, mesmo saindo magoada, mesmo sendo eu a ferida. Eu fiquei lá...
Mas eu não peço nada disso, está bem?
Se vocês quiserem ir, eu vou entender. Vou mesmo, ninguém tem de sofrer o que eu tenho sofrido e ser alguém que não é. Se está pesado pra vocês entenderem o que eu tenho me tornado, podem ir.
Não que eu queira que vocês tomem os caminhos que levam vocês para longe de mim, mas por favor, não se prendam as suas promessas. 
Eu prometo entender. 
Talvez, o dia que eu estiver organizada e humana, eu volte e explique com calma pra vocês o que aconteceu.
Não agora, eu não consigo. 
Não dá.
Está um nó aqui na garganta, eu sei que vocês entendem. Vocês são humanos.
E eu sei a vontade que vocês tem agora de sair correndo e de ficarem longe disso. 
Eu também a tive. Mas vocês são humanos, não precisam ficar. 
Quem precisa de um pouco de humanidade sou eu.
Quem precisa sentir a dor que tenho fingido não ter sou eu.
Quem precisa assumir os próprios erros sou eu.
Eu vou me encontrar, prometo a vocês. 
Não prometo encontrar-me dentro de todas as expectativas, mas vou encontrar-me.
Um dia, vocês vão me entender.
E se não entenderem, tudo bem, eu amo vocês.
Amor humano, feliz ou infelizmente, mas amo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mentirosos e sua caixa

Quero que todas as mentiras que me contaram até hoje parem de pesar em mim!
Eu ordeno que essa dor me deixe, não tenho culpa de as terem ensinado a mim, não tenho culpa de ter aprendido.
E o meu maior erro até hoje é ter buscado uma porra de liberdade, um ar limpo, um fim de hipocrisia humana em mim.
O meu maior erro foi ter sentido a dor de quem não é ouvido, é ter escolhido o lado mais fraco pra apoiar.
(Shhhhh...)
Eu não serei silenciada...
(Shhhhh...)
EU NÃO SEREI SILENCIADA.
Eu posso derramar lágrimas de dor na frente dos mentirosos, eu posso deixar palavras virem aos meus lábios e morrerem na hora de ganhar som, mas elas sairão em cada uma das minhas atitudes e vitórias.
Eu vou vencer, eu vou ser feliz sem seguir a porra dos rótulos que vocês tentam me forçar a seguir.
Eu sinto não caber na caixa que vocês encomendaram pra mim...
Quer saber?
Não sinto, não.
O que eu sinto mesmo é que as mentiras e a caixa conseguem ser maiores e mais pesadas do que tudo que um dia eu pensei ser.
Tudo bem... Eu deixo tudo pra trás, a vida é uma, única, singular.
Se vocês me dizem o que é "normal", quero dizer que "anormal" também funciona.

sábado, 24 de novembro de 2012

A M O R

Amor
   A
   M
   O
   R

Esse negócio nunca foi mais sincero.
Hoje eu entendo o que esse povo fala nos livros, nas novelas, nas músicas e entendo até onde vai o grau de veracidade deles.
Eu te amo, pequena.
Ainda que minhas palavras demorem para chegar até você.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Antes da beleza, a guerra

Quero poder deixar esta escuridão que agora faz parte de mim,
Que veio, tomou-me e no meio dela eu esqueci o que sou, ou que nunca fui.
Não que eu culpe a ti pela escuridão que veio a mim,
Ela precisa ir, precisa me deixar, preciso de sol que faça enxergar o que eu realmente sou, o que nunca fui.

Há correntes que me prendem, deixam-me estagnada, fincada ao chão, como uma arvore que aos poucos deixou de ter vida.
Eu realmente não acho que elas sejam mais importantes do que você, pequena, acho apenas que são mais pesadas.
Quero acreditar que o tempo realmente leva cada coisa para o seu lugar, porém, sei que não é só ele.
Eu não sou uma arvore morta, tenho de me mexer.

Ajude-me no momento que a vida deixa de me fornecer o chão,
Mostre-me que no teu solo eu posso pisar,
A vida já foi bem dura até aqui, pequena.
Ela já me doeu bastante.

Mais do que medo que posso causar aos outros, tenho medo do que posso causar a ti,
Mais medo do que posso ter dos outros, tenho medo de mim.
Quero achar-me no vale em que ando para encontrar-te no topo da montanha que avisto daqui.
A história pode ser bonita, mas antes a guerra, sempre a guerra.

O meu inimigo, sou eu.