Olá!

A casa é sua

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

4 horas


A chuva tem sido diferente esses dias aqui em São Paulo. Não me incomodo com ela, são uns pingos tão gelados que me fazem sentir um carinho divino.
Tem dias que a gente se sente sozinho mesmo.
Foda-se todas essas "necessidades", as coisas realmente deveriam deixar de acabar assim... as vezes.
Eu voltei a estaca zero, o ponto onde eu estava quando tudo isso começou.
Querer forçar seus atos soa-me tão antiquado quanto a falta que sinto deles. A ansiedade por um olhar, por um abraço voluntario que não saia de mim ou qualquer coisa assim...
Céus! Nas ultimas noites tenho acordado no mesmo horário morrendo de vontade de te ligar e dizer... nada. Eu não tenho nada a dizer e por isso não ligo. Seria só o prazer de ouvir o "sim?" e saber que sua voz estava ali comigo na escuridão. Enfim, eu não ligarei.
"Me fiz escravo do meu medo de ser".
Talvez seja a chuva, ou a insônia maldita de todas as quatro horas da manhã. Talvez sejam as músicas também, ou a infeliz vontade de partir todos os dias para a mesma estação de trem. Talvez seja mesmo ausência.
Quatro paredes. meu papel, a chuva, São Paulo.
Até as 4h.


sábado, 21 de setembro de 2013

Zelo

Nunca, sempre, tanto tempo.

Quero cuidar de ti porque, não sei explicar como, mas fazes parte de mim.
Me dói assim, no mais profundo, achar posso simplesmente acordar amanhã e ser tudo resultado de uma esquizofrenia louca, um sonho que criei como rota de fuga de tudo que eu era antes e do que a vida estava me tornando.

Tenho meus problemas, mas eu gosto de me carregar.
Fico mesmo incomodada quando alguém por ai fica me apontando que sou isso ou sou aquilo.
Não és meu, mas eu gosto de te carregar.
Fico mesmo incomodada quando alguém por ai fica apontando que és isso ou és aquilo.
És, somos, o que és, o que somos.
E eu gosto assim.

Ah, garoto, eu queria mesmo que soubesse ou sentisse ou ao menos tentasse entender o quanto eu me importo, eu realmente me importo.
Me importo tanto quanto me importava no começo, ou mais.
Me importo a ponto de não querer abrir a porta ou de quando meu abraço te sufoca querer dizer num sussurro ou num grande alarido que eu o amo tanto quanto no começo, ou mais.

E agora que pra mim tudo está no mais?
Infinito no nunca ou no sempre, infinito.

Ainda que não haja sol, que chova, que esteja frio.
Ainda que não tenha palavra ou certeza.
Ainda que não haja porém.
Eu continuo me importando, amando, zelando.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Redoma


"És para mim, única no mundo".
Sem querer que o nosso Pequeno Príncipe se torne um clichê, mas para mim és a rosa.
Porém, não posso (nem quero) tranca-la numa redoma de vidro para que sobrevivas, eu quero é que vivas e que vivas intensamente.
Nessa história, sinto-me tua raposa, tua voz chama-me para fora do buraco que eu costumo me esconder.
Minha rosa, tua raposa.

Minha rosa, não quero que te prendas na redoma, me sinto a maior das egoístas do nosso pequeno mundo com isso....
Eu quero é que sejas raposa como eu e, se não sou teu Pequeno Príncipe que possas encontrar a voz que te chama para fora, que te tira do buraco.

Se já o fui, que posso eu fazer para que me reconheças?
Será que são tantas as vozes assim que a minha sucumbe no meio de tantos outros chamados?
Só não te quero obrigada, minha rosa, a sobreviver no meu pequeno mundo, cheio de pequenas paisagens e tão grandes sensações e sentimentos.

E eu? Eu continuo raposa. 
Tua voz continua a me tirar do buraco e continuará. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sobre a morada da minha alma

É o mundo aberto que me trás fascinação e insegurança.
Quero dar-te a mão não porque não consigo andar sozinha mas porque tua companhia me é agradável.
Não aches que posso fornecer-te o segredo da vida, eu o desconheço e nem sei se ele é singular ou plural, mas quero poder almejar descobri-lo contigo, ainda que na possibilidade de pluralidade achemos sentidos diversos.
Sou mais livre quando sei que escolhi montar a casa da minha alma ao lado da tua, mesmo que a precise desmontar carregarei o sentido de boa vizinhança. Mas entenda, não quero desmonta-la. Tua rua me é agradável e as xícaras de sal e açúcar sempre me rendem boas lembranças.
Talvez eu nunca descubra como cheguei aqui, talvez eu tenha perdido da manha de desejar outra casa, a tua é demasiadamente agradável. 

sábado, 31 de agosto de 2013

Minhas Janelas

Está bem escuro aqui fora, meus olhos (minhas janelas) não se acostumam, não consigo ver sequer um esboço das coisas que estão ao meu redor.
E eu... eu só quero ir pra casa.
Onde é a minha casa?

Faz tempo que não tenho casa.
Faz tempo que eu repouso num lugar, morro um pouquinho em outro, pra depois acordar, ressuscitar e ir de novo esperar algo da vida.

Bem achei ter casa, mas eu sou o caos, eu sou o caos.
Eu o carrego comigo a onde quer eu que siga, chego e faço tanta bagunça que é melhor não ter casa.
Talvez eu seja mesmo assim, talvez eu seja nômade, doente, louco.
Talvez eu seja assim mesmo, capaz de trazer o caos transvestido de plenitude.

Deixa estar, sou eu.
Mas meus olhos (essas minhas janelas) sempre foram sinceros.
Queria que eles conversassem.
O caos é esse, meu pensamento escapa pelos olhos antes de chegar a boca, não há som.
Eu deveria fechar as janelas e fazer como todo mundo faz, usar a porta, boca-porta.

"Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse:
- Vai, Carlos! ser gauche na vida."
Ah, Drummond, sigo gauche todo dia.
Mas meus olhos (minhas janelas) são sinceros. E como são.

Ainda que eu carregue o furacão, não sou assim tão forte.
Não.. não sou.

As janelas se fecham quando o sol já aqueceu dentro da casa.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Carta para o Amor

             Eu sempre preferi acreditar que pessoas como você existem, mesmo que eu não as encontre a cada esquina, ou em todo lugar, ou mesmo uma a cada mil quilômetros. Eu sempre preferi acreditar. Por isso, não tenho dúvidas do quanto eu tive sorte de achar você, de nos percebermos, de você estar no mesmo lugar que eu, de termos nos permitido viver essa história mesmo sem saber direito no que ela ia dar. Hoje, sou capaz de questionar qualquer coisa, menos a veracidade do que eu sinto ou a intensidade dos meus sentidos quando estou contigo. Você me faz sentir, nos instantes que estamos juntos, a verdadeira “vida viva” e mais do que isso, incentiva-me a busca-la todos os dias, na fé de que ela realmente pode ser alcançada (e há quem diga que eu não tenho mais fé).


            Você torna viva cada nota musical que toca no rádio. Você faz as cenas dos filmes se tornarem parte de mim. Faça frio ou calor, sol ou chuva, noite ou dia, nada, nada passa-me como insignificante quando estou do seu lado. Falta sentido na hora do adeus.

            Todas as escolhas que me levaram até você, todas as palavras que até agora foram ditas, ou não tão ditas assim. Sou grata por todas elas. Sou grata a mim e a você pelo voto de confiança que nos concedemos a cada passo que escolhemos dar para nos unirmos.

            Tem tanta coisa pra falar, tanta. Mas... quero te pedir em casamento. E por que eu? E por que agora? E por que assim?

Porque eu fiquei esperando você dizer o primeiro “eu te amo” e hoje acho que perdi tempo. Porque eu fiquei esperando você me pedir em namoro porque achava tudo recente demais. Porque se eu escrevo pra tudo, inclusive pra desengasgar as palavras que não saem, nunca saem, agora não seria diferente. Não quero todas as simbologias que esse pedido carrega. Não quero papel, testemunha, festa, branco, flores, um monte de gente pra contar história depois. Quero simples como a música do Dominguinhos... “ Não posso ficar sem você pois, viver sem você é viver pra chorar (...) Fica, meu amor, ou então me leva pra morar contigo.”
Qualquer lugar, longe ou perto, quero você aqui comigo. Eu, você e nossos livros, músicas, filmes e sonhos.

“Eu só aceito a condição de ter você só pra mim”
            A primeira mensagem, não?
Faço dela a conclusão. 

terça-feira, 9 de julho de 2013

O custo sem valor

Quanto vale uma vida?
Não, perdão... Valor, não.
Quanto custa uma vida?
Custo: Despesas, desembolso, o que se paga, gasto, dificuldade, fadiga.
A vida as vezes pesa tanto que deixa de ter valor e passa a ter custo.

Custo a dormir.
Custo a acordar.
Custo a levantar.
Custo a parecer acordada.

Tudo que tem valor, não tem espaço.
Tudo que se faz com sorriso, não tem momento.
Corre no que se gosta.
Aquieta no que se pesa.

Valor riso.
Valorizo.
Que me soltem o riso.
Que se prenda o ouriço... e seus espinhos.

Levanto-me todos os dias o mesmo horário.
Levantam-me.
Acordada? Não. De olhos abertos.

Deito-me todos os dias, não no mesmo horário.
Não tem momento para isso.
Durmo? Nem cheguei a despertar.

Sonho o mundo, sonho meus sonhos.
Todos aceitamos o presente doloroso contanto que nos permita os sonhos.
Hoje, esforço.
Amanhã, também.

O sonho não chega.

Penso que, talvez, a maior tragédia dessa vida
É o tempo que a gente passa correndo atrás do vento.
E não há libertação, não há.

O despertador soou...
Não há mais tempo para palavras.
Adeus.

domingo, 7 de julho de 2013

Luta

Sinto muito mas grilhões não me servem, que caiam.
E eu, no desejo mais intimo do meu ser, não quero que eles sirvam a mais ninguém e caiam.
Tenho motivos para lutar que me levarão a frente por uma vida inteira,
Custe o que custar.

Luto por elas que usam os grilhões e não percebem,
Pois eles já se tornaram sinônimo de beleza, delicadeza.
Luto contra todos aqueles que ainda acham que submissão é uma virtude
E ensinam isso para filhas e filhos.

Luto por elas que além de presas sofrem agressões
E por todas aquelas que ainda internalizam a resposta "a culpa é minha".
Luto por poder sair na claridade do dia e na escuridão da noite
Sem medo de estar desacompanhada.

Luto por ser companheira e não uma serva.
Luto por igualdade e não superioridade.
Luto por nós, luto por todas e todos.

Luto por todas que usam os grilhões em dose dupla,
Aqueles que deveriam ter sido extintos em 1888 e pelos que estão nelas e em mim
Desde que o mundo é mundo.

Luto por elas que se deram conta dos grilhões
E que amam, amam, amam.
Amam outras elas e que por amar sofrem.

Luto por elas que nasceram elas
Mas que o mundo insiste em dizer que são outros.

Luto por elas, por mim, por nós.
Eu luto.






sexta-feira, 31 de maio de 2013

Do hoje



De tanto me construir e destruir hoje sei que é os erros e acertos que me formam quanto humana.
O ontem se foi e deixou um legado ao hoje: me supere.
E assim os dias vão correndo...
Será que todo mundo já entendeu a diferença de viver e sobreviver?
E a diferença da briga e da luta?
E o espaço que há entre conviver e cativar?

Sabe... o tempo passa, corre, voa, se esvai.
O que eu pensava que seria, não foi.
O que jurava não querer, acabei por ter.
A vida não segue padrões, a sobrevivência que gosta de scripts.

Hoje é um daqueles dias que o ar tem aroma de liberdade,
Que dá vontade de abraçar o mundo com tanta força só pra dizer que amo o fato de estar viva.
Saudade de você, meu amor, saudade do teu abraço que me tira o folego,
Você é a minha maior expressão de liberdade.

Vamos andar por ai, ver estrelas e sorrir.
Que ninguém nos trave o riso.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Aos guardas


O meu espírito é maior que o meu corpo.
O meu espírito é maior que a minha casa.
O meu espírito é maior que meus ideais.
Ele simplesmente é maior, tão maior que espreme-se em mim e dá gritos de prazer e dor oscilados e desmedidos.

Ele brada explosões de rebeldia que não se justificam aos olhos dos guardas.
Afinal, quem guarda, zela ou aprisiona?
E quem define a linha tênue que divide isso?
Eu tenho dispensado todos os guardas-zeladores que vigiam meu espírito preso.
Estão todos dispensados! O trabalho de vocês já foi concluído.

Eu cumpri minha pena, meu espírito cumpriu comigo.
Daqui pra frente, não há mais o que prender, perder ou zelar.
Não há mais o que mudar, espírito que foge uma vez, fugirá sempre.
Os ataques de rebeldia tornar-se-ão frequentes, o trabalho dos guardas será desgastante.
Desgastante e desnecessários. Inúteis.

Por favor, eu não estou perdida!
Se eu cair não passarei do chão.
Não há feridas que não cicatrizem,
Não há dor que não ensine,
Não há medo de queda que compense perder os devaneios da vida.

Se vocês escolhem poupar-se dos devaneios e viver atrelado ao medo.
Não me obriguem a fazer o mesmo!
Não quero culpar a vida, o destino, o acaso ou os guardas por viver uma vida medíocre.
Não quero viver de "ses".

Um cadeado enferrujado se dobrará ao meu espírito.
Eu vejo. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O silêncio x O sonho

Qualquer caminho.
Qualquer lugar.
Desque fora de mim.

Tudo parece distante quando o silêncio decide chegar.
Ele entra mesmo que me negue a ceder espaço para ele.
Chega, entra e dói.
Ele afasta tudo!
As estrelas vão iluminar outro céu qualquer,
O mar regressa,
O porta-retrato fica opaco e minha cabeça dói.

Nada consegue conter o silêncio ou conviver com ele.
Nem eu.
Minha alma fica procurando brechas para sair.
Não o suporto!

De luz apagada vou inventar um sonho,
Meus olhos projetam, o teto é tv e o vento se faz trilha sonora.

O silêncio não compete com o meu imaginar.
Ele sabe que perde, sempre perde.
Ninguém pode com um sonho.

No sonho, as estrelas voltam,
O mar avança, o porta-retrato cria vida
E fico tonta.

Tudo estará de pé amanhã. 

Para além da lógica


De calmaria a tempestade em alguns segundos. 
Alguém já usou alguma frase assim pra definir um romance? 
Pois bem, eu usei. 
De onde tiraram a ideia que a tempestade é unicamente ruim? 
Tempestade, pra mim, é movimento, é ação, renovação.
E calmaria? É a tal da "paz que invadiu o meu coração de repente me encheu de paz..." que alguém canta por ai. 
Somos assim.


Nota como como somos confusos? 
Como posso ser racional e explosiva ao mesmo tempo? 
Como pode ser emocional e calmo junto comigo?
Não faz sentido... Não fazemos o menor sentido! 


Aliás, várias coisas não fazem sentido nesse romance. 
Até ontem, eu tinha decidido parar de acreditar em amores românticos. 
Até ontem, eu tinha parado de associar música a pessoas.
Até ontem, eu queria lutar sozinha por tudo que eu acredito. 
Até ontem... hoje não. 


Você chegou, parecendo a vida me dando olá e dizendo "as coisas nunca são como a gente espera, bobinha" e fez um verdadeiro reboliço dentro de mim. Resolveu provar que as coisas simples ainda fazem sentido pra algumas pessoas no mundo, que é verdadeiramente bom sentir que está enrubescendo da forma mais graciosa possível, que vale a pena sentir-se adolescente quando em vez, que nada muito sério consegue  ficar sem sorriso. 

O que fazer pra não permitir que se vá? 
Posso pedir que não vá?
Eu escolhi ficar aqui e acreditar que a vida pregou a peça mais bonita na gente.
Acabei por conhecer o lado bom dessa menina, a vida, que devia estar esperando o momento certo de sacar suas surpresas boas da bolsa e ir soltando-as todas de uma vez. 

Mas que se dane se isso por só um pico de felicidade! Seria capaz de suportar as tristezas mais profundas desde que você, sim, você esteja aqui. 
Que pelo menos você, seja aquela surpresa sem prazo de validade, imperecível, permante, meu, sem devolução ou troca. 

Porque você, anjo, me faz querer o infinito, buscar as estradas mais distantes, as clareiras mais abertas e os gostos mais doces. 
Porque você, anjo, faz todos os riscos serem menores que a vivacidade da loucura.
Apenas me sinto viva e isso já é tão suficiente. 

Eu amo você. Adoro você. Quero você. Sou de você. 
Segue...





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fora do tempo

Qual o sentido do tempo?
Não há mais.
Deixou de existir.
Foi-se.
Foi-se desde que as noites transbordaram e se misturaram com os dias mais claros. Desde que eu não me importo mais com o clima lá fora, aqui sempre está quente. Desde que você chegou aqui.
Dei pra sonhar.
Posso ficar dias sem alimentar-me com nada, além de você.
Me deixei ficar. Não soube dizer "não", na verdade, nem o quis. Ouvi-me como jamais me permiti antes.
Me diz, como querer sair daqui?
Se nunca uma prisão me pareceu tão boa, se daria a chave da solução do mundo para que não me deixes sair daqui e me ate a você.
Teu cheiro é inebriante, teu corpo atordoa.
Como foi que chegamos aqui mesmo?
Devagar, depressa, devagar, depressa.
Qual o significado disso?
Nos desatemos do tempo, deixe estar, deixe-me estar, aqui ou em qualquer outra prisão, "prisão livre".
Contrariedade sempre rimou com liberdade. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Meio bom, meio mau.


É tanto sol lá fora que dá vontade de amanhecer-se em si.
Hoje acordei mais cedo, quis ver o dia correndo, as nuvens passando, o vento mudando de direção.
Botei meu óculos escuro, fui andar pela avenida, tanto prédio, tanta gente, tanta coisa e pressa.
Fixei-me a olhar pra frente, vi teu sorriso, mudou-se para dentro de mim com tanta pressa que não pude evitar, fiquei sem chão.
Teu cheiro sorri e sobrepõe-se a selva de pedra, és meu.
Danço entre pensamentos, meus lábios sorriem, meus olhos brilham e as palavras tuas soam para mim com toda a malemolência de um conquistador barato.
Mas quero-te assim mesmo. Meio bom, meio mau, mau no boníssimo sentido que se pode ser.
Se suas palavras dançam sobre mim, deixo que as minhas dancem sobre você.
Vamos dançar? Que saiam as palavras e entremos nós.

sábado, 20 de abril de 2013

Ao amor simples

Os lábios quentes tornam a encontrar-se no frio incessante de São Paulo.
A noite decidiu colaborar com os abraços e os olhos continuaram conversando, ainda que fechados.
Eles dançavam, seus corações agitaram-se de tal forma que qualquer um que passasse notaria a dança. Ninguém passou. A noite também cuidou para que ninguém os atrapalhassem.
Tudo exalou poesia porque tinham silêncio.
A decisão de não se soltarem já estava tomada, ainda que seus corpos precisassem se separar.
Ela era dele, ele era dela. E isso não precisava ser dito.
O tal do amor decidiu mostrar que existia e com tanta simplicidade traduziu em atos o que os mais antigos poetas tentaram descrever por palavras e o que a pobre autora deste texto sempre tentou aproximar-se.
O tal do amor prega peça, sem esforço nenhum, apenas chegando e se instalando, simples.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Microconto II

 Ela e o silêncio, percebeu que estava só. Foi devorada. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Do alto

O quão pequenos devemos ser para o Alguém que vive lá em cima...
Somos como formigas, sim, talvez ainda menores do que elas.
É como se num pequeno sopro todos nós fossemos sair voando para além do além.
Tudo pode ser tão trivial quando pensamos que somos pó e que o nosso vizinho é pó, os que se cruzam nas ruas são pó, todos somos apenas pó.
Tudo poderia seria facilmente resolvido se enxergássemos além das nuvens que não passam de vapor de água, nada mais, apenas limpemos as lágrimas do mundo e elas deixarão de existir.
Que possamos dar as mãos para que assim nossos elos sejam mais fortes, que o mundo se abrace para que caia a chuva que renove, que seja lá quem for que nos olhe, ache que somos mais inteligentes que as formigas e não nos machuque.
Mas principalmente... que paremos de nos machucar. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sonhei

"Sonhos são associações de imagens, frequentemente desconexas ou confusas." 



Sonhei que o dia estava frio. Eu sai de casa disposta a me aventurar, vestia um longo casaco preto, mas sem luto, carregava um longo sorriso no rosto. De repente me vi no mesmo lugar, outro dia, outro clima, estava eu de branco, muito mais leve do que antes, meu sorriso ainda estava lá e quando saí, talvez estivesse nas nuvens, talvez embriagada, apenas não sentia o chão. Dei-me conta de que não caí porque alguém me segurava, era meu anjo, eu tinha certeza.

Não me dei conta do tempo passando, um dia tornou-se uma hora quando o anjo ali estava, quando ele ia, um dia tornava-se mil anos.

O anjo me mostrou alguns detalhes da vida, que antes, eu jamais teria reparado ou me deixado estar.
No lugar onde as pessoas só passam correndo, sentei-me ao lado do anjo e Deus, por alguns instantes, nos olhou. (Não se preocupe, Criador, seu anjo tem feito um bom trabalho)

O anjo ia e voltava, os dias corriam dentro do sonho, mas a figura do anjo não me deixava, nem seu calor ou seu cheiro, apenas sua figura física não estava ali.

Quando reapareceu, trouxe-me outro sorriso longo, outro palpitar no coração. Sentamos novamente no meio da correria, era noite, no céu havia estrelas, bem me lembro, era como se Deus tivesse colocado como platéia, as estrelas...

Fui e voltei em pequenos devaneios quando o anjo disse que resolveu ficar e andar comigo, dançar comigo, estar comigo.

Percebi que não mentia e que era um anjo quando declarou-me seu amor.

O sonho ainda não acabou...
Não tenho pressa que acabe.
Sonho que me deixou perto de um anjo, que me trouxe mais perto de Deus que me deixou de platéia um infinito de estrelas, outro bocado de nuvens, o sol e a lua e todos mais que giravam enquanto estávamos lá.

E estamos. 

domingo, 31 de março de 2013

Desbravar

Boa noite, andei tendo pesadelos, lembranças de um passado que eu quero esquecer, confusões que me fazem refletir sobre em que caminho, ao certo, estou.
Tenho pedidos a serem feitos, clichês como todos os anteriores e que nem sempre sairão com palavras, na maioria das vezes, não.
"Insegurança" é a palavra da noite, o céu está bem nublado lá fora e eu só queria ver as estrelas, o vento está bem frio também, não acha? Essa blusa não está resolvendo nada.
Vou sair amanhã cedo, bem cedo, "partindo para o desconhecido", que exagero, não?
Me sinto desbravando o mundo, me sinto desbravando o meu interior também, é ele que mais assusta.
Ideais estão no meu travesseiro, eles fazem barulhos na minha orelha todas as noites, vou leva-los amanhã, quem sabe reconstruir alguns deles, esquecer outros, firmar alguns mais.
Dentro da mala também vai seu rosto.
Se meu passado vier me assombrar de novo, vou tirar de dentro da mala o seu sorriso e lembrar que eu não estou mais sozinha.
Na bagagem de mão estou levando canções, todas alegres, elas evocam coisas boas e espantam qualquer maldade.
Vou indo, falando a língua do coração e certa de que as pessoas me entenderão.
Vou indo, sabendo que vou voltar e que tem gente me esperando, que você está me esperando.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Caturrando



Vejamos o nascer ou o pôr do sol pelo menos uma vez por mês daqui pra frente e até o fim das nossas vidas, tudo bem?
Ouvir músicas boas para nós também, mas quem sabe, pelo menos uma vez ao dia.
Afinal, música é quase essencial, como comer, beber, dormir e entre tantas outras coisas.
Podemos também ver filmes que ninguém mais presta atenção? Velhos, novos, qualquer filme, desde que se finde a temporada "ver filme sozinho".
Podemos discutir sem brigar? Podemos praticar a escuta?
Quem sabe conversar sobre coisas triviais e coisas sérias sem ter que ficar olhando o relógio ou se distraindo com programas de TV?
Silêncio, ah, é mesmo o silêncio.
Podemos ficar em silêncio? Os olhos também falam, não falam? As vezes falam melhor e mais bonito que nós...
Queria fazer um zilhão de perguntas que permitissem que o tempo infinito ainda se mostre pouco diante delas e que sendo assim, elas o obrigassem a ficar, responder e pensar diante dos meus olhos.
Não sendo possível, torço para que o mesmo que trouxe-o aqui deixe-o ficar.
Com perguntas ou sem, apenas fique.