Olá!

A casa é sua

domingo, 29 de dezembro de 2013

Eu sou o Samba.




Tá ouvindo?
Dezembro pode ser  um quase fevereiro pra terminar o ano bem.
A gente ouve aquela batida que o coração acompanha, que dá vontade de dançar e que é quase uma pílula do esquecimento para todos os problemas.
Pois desça aqui mais uma cerveja que meu coração já esquentou.
Vamos, vamos! Porque a vida passa rápido demais pra gente deixar tocando no rádio qualquer melodia triste, prefiro o batucar ao vivo de um bom samba.
Ah... o samba.
Esfria o que tá quente, esquenta o que tá frio.
Tudo se ajeita com ele.

sábado, 16 de novembro de 2013

Me tomo

Vadia vida louca e corrida que me chama.
Sou louca vadia que corre colorida pela rua (nua).
Sou assim, não adianta, nem deus nem o demônio podem arrancar do meu peito a palavra liberdade que me pulsa os batimentos  me arranca de toda grade, quente ou fria, limpa ou suja, só paro nas grades que me interessam.
Que me chamem de vadia, de louca e até de vida. Porque a vida se não é vadia e louca não vale a pena. Eu valho a pena.
Cada sonho que tive é vadio. Cada sorriso que dou é vadio. Cada lagrima derramada é vadia. Cada amor mais vadio. Alimento paixão pelo periférico.
Sei que isso te soa negativo, mas meu caro, não é. Negativo é deixar a vida preta e branca feito este teu caderno, cheio de promessas do porvir. Eu só tenho o hoje.
Mesmo assim, meu amor vadio te ama.
Sou porque foste ainda que não possa ser o que foste.
Sou minha, porque me tomei.
Não é ingratidão, é lição. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Quadro

Eram dois corpos.
Dois corpos que queriam virar um só.Sabe como é, não é?
O maior dos pecados realizado passo a passo, gesto a gesto, quase que como uma pintura.
A porta se fecha e do lado de fora ficou o grande mundo, são só dois, sós no total.
A dança não tem passos ensaiados, mas nunca se viu antes alguém que se entregasse plenamente a executa-la.
Eram da mesma altura, entregues a alcançar a mesma elevação.
Os sussurros despertam cada canto do quarto e tudo, tudo cria vida. Ao menos ali, enxergam todo o espaço que aquele breve mundo pode ter.
Um beijo terno de olhos fechados que enxergam a pulsação.
A pele se ouriça, não é frio.
Não se cabem ao abraço, entregam-se como se o mundo fosse acabar dali a um segundo, é a ultima chance, a ultima.
Os olhos se encontram e com o mesmo brilho, conversam.
Já não há sussurros, os mundos misturam-se pelos sons que o pequeno mundo emite ao grande mundo, é a prova de que estão vivos e que é ali, no maior dos pecados, que enxergam a beleza disso. Eles entendem, agora entendem.
Saem de si, saem alma, gemidos, suor, vida.
Se amam e há beleza no amor.


domingo, 27 de outubro de 2013

Passaninhar

Todo coração deve sentir-se assim de vez em quando.
Por mais que o meu seja pássaro e desvie das grades que tentam impor por aí, ele sente uma vontade de te pertencer e ela é quase que incontestável, já gastei todos os meus argumentos com ele, que teima.
Eu disse a ele que sou livre... "sou um homem livre!"
Acredita que riu?
Riu de mim meu coração da forma mais maliciosa possível e eu entendi da forma mais indigesta que ele já tinha escolhido onde iria pousar desconsiderando a minha primeira afirmação.
Inventei de dizer o quanto sua decisão era perigosa, quase que como uma mãe, fui fornecendo os "ses" que ele parecia ignorar e no final tive de engolir um baixo, mas com boa dicção, "eu não ligo".
Aquele diálogo de eu comigo, aquelas convicções, eu me disse de todos os perigos e fui ignorada.
Meu coração quer te sobrevoar, quer se alimentar do seu jardim, visualizar suas cores.
Meu coração quer pousada, quer lugar, pertencimento e ser novo, de novo.
Meu coração não tem chão e voa.
E apesar de tanta insegurança, quer a inteireza de descansar as asas em teu chão.
Ponha seus olhos sobre os meus e depare-se com quem eu sou.
Saiba que meus espaços de liberdade se abrem para receber.
Dou-me por livre e espontânea autonomia. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Postulado

Existe uma frincha que de tão referta, dói.
E do meu lado queima, arde, flameja.
E do outro, chamusca.

Existe um amor que de tão forte, fraqueja.
E do meu lado hesita.
E do outro, titubeia.

Existe, há, vive.
E do meu lado vive.
E do outro, subsiste.

Fidedignas palavras que não saem.
Genuínos atos que não existem.
Efetivo amor que me mora.
E do outro, procuro lisuras. 

Versejar

A gente só precisa vomitar o que sente de vez em quando pra ver se abre espaço dentro de si e cria um pouco mais de força. Eu acho mesmo que isso deva resolver parte dos problemas.
Gosto de voltar e rever a vida feito uma novela em que eu fico tentando adivinhar qual vai ser o final, igual um filme que emociona por transparecer aquilo que se acredita.
Tem dias que fico meio assim, sei lá, querendo virar a cara pro mundo. As pessoas te pisam, cara. Elas fazem isso tão bem que quase podem alegar inocência, fazem "sem querer", sabe como é. Elas acham que porque você não as olha nos olhos as palavras não doem tanto, mas meu amigo, uma palavra maldita num dia que te empurra pro tombo acaba com tudo.
Talvez esse seja o preço do sentir apurado demais, eu sinto tudo demais, chego a pensar que vou morrer de tanto ódio ou de tanto amor ou de tanta insegurança, acho mesmo que está tudo acabado num segundo e no outro pronta para o eterno. É engraçado.
Sinto as lágrimas alheias como facas no coração e meu sorriso se abre sozinho quando vejo um monte de gente rindo. Fico pensando o que as pessoas pensam (que coisa engraçada) enquanto caminham pela rua ou quando estão paradas nos transportes públicos, fico ouvindo a música do fone do vizinho e pensando se o humor dele condiz com o que ele escuta ou se é só um disfarce pequenino pra encarar mais um dia.
Olho os casais, as mãos que andam entrelaçadas e olho também as pessoas sozinhas, eu queria só por um instante conseguir sentir o que cada uma sente.
Acho que todo mundo vive assim e pronto, é ai que me estabaco.
As pessoas estão pouco se fodendo pra o que você está pensando, meu amigo!
Querer que todo mundo seja poeta é pretensão demais, poeta, músico, filósofo, humano, qualquer coisa que se preocupe mais do que com a hora que está marcando no relógio ou com o próprio umbigo. Ah, quanta pretensão.
O mundo correndo e eu aqui querendo andar em câmera lenta.
A sensação horrível de "o que é mesmo que eu faço por aqui?"
Talvez eu só não pertença mais, não me adeque, não me afine, não me ajuste. Talvez eu simplesmente não seja. Talvez eu não rime, na verdade, eu rimo, não rimam comigo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

4 horas


A chuva tem sido diferente esses dias aqui em São Paulo. Não me incomodo com ela, são uns pingos tão gelados que me fazem sentir um carinho divino.
Tem dias que a gente se sente sozinho mesmo.
Foda-se todas essas "necessidades", as coisas realmente deveriam deixar de acabar assim... as vezes.
Eu voltei a estaca zero, o ponto onde eu estava quando tudo isso começou.
Querer forçar seus atos soa-me tão antiquado quanto a falta que sinto deles. A ansiedade por um olhar, por um abraço voluntario que não saia de mim ou qualquer coisa assim...
Céus! Nas ultimas noites tenho acordado no mesmo horário morrendo de vontade de te ligar e dizer... nada. Eu não tenho nada a dizer e por isso não ligo. Seria só o prazer de ouvir o "sim?" e saber que sua voz estava ali comigo na escuridão. Enfim, eu não ligarei.
"Me fiz escravo do meu medo de ser".
Talvez seja a chuva, ou a insônia maldita de todas as quatro horas da manhã. Talvez sejam as músicas também, ou a infeliz vontade de partir todos os dias para a mesma estação de trem. Talvez seja mesmo ausência.
Quatro paredes. meu papel, a chuva, São Paulo.
Até as 4h.


sábado, 21 de setembro de 2013

Zelo

Nunca, sempre, tanto tempo.

Quero cuidar de ti porque, não sei explicar como, mas fazes parte de mim.
Me dói assim, no mais profundo, achar posso simplesmente acordar amanhã e ser tudo resultado de uma esquizofrenia louca, um sonho que criei como rota de fuga de tudo que eu era antes e do que a vida estava me tornando.

Tenho meus problemas, mas eu gosto de me carregar.
Fico mesmo incomodada quando alguém por ai fica me apontando que sou isso ou sou aquilo.
Não és meu, mas eu gosto de te carregar.
Fico mesmo incomodada quando alguém por ai fica apontando que és isso ou és aquilo.
És, somos, o que és, o que somos.
E eu gosto assim.

Ah, garoto, eu queria mesmo que soubesse ou sentisse ou ao menos tentasse entender o quanto eu me importo, eu realmente me importo.
Me importo tanto quanto me importava no começo, ou mais.
Me importo a ponto de não querer abrir a porta ou de quando meu abraço te sufoca querer dizer num sussurro ou num grande alarido que eu o amo tanto quanto no começo, ou mais.

E agora que pra mim tudo está no mais?
Infinito no nunca ou no sempre, infinito.

Ainda que não haja sol, que chova, que esteja frio.
Ainda que não tenha palavra ou certeza.
Ainda que não haja porém.
Eu continuo me importando, amando, zelando.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Redoma


"És para mim, única no mundo".
Sem querer que o nosso Pequeno Príncipe se torne um clichê, mas para mim és a rosa.
Porém, não posso (nem quero) tranca-la numa redoma de vidro para que sobrevivas, eu quero é que vivas e que vivas intensamente.
Nessa história, sinto-me tua raposa, tua voz chama-me para fora do buraco que eu costumo me esconder.
Minha rosa, tua raposa.

Minha rosa, não quero que te prendas na redoma, me sinto a maior das egoístas do nosso pequeno mundo com isso....
Eu quero é que sejas raposa como eu e, se não sou teu Pequeno Príncipe que possas encontrar a voz que te chama para fora, que te tira do buraco.

Se já o fui, que posso eu fazer para que me reconheças?
Será que são tantas as vozes assim que a minha sucumbe no meio de tantos outros chamados?
Só não te quero obrigada, minha rosa, a sobreviver no meu pequeno mundo, cheio de pequenas paisagens e tão grandes sensações e sentimentos.

E eu? Eu continuo raposa. 
Tua voz continua a me tirar do buraco e continuará. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sobre a morada da minha alma

É o mundo aberto que me trás fascinação e insegurança.
Quero dar-te a mão não porque não consigo andar sozinha mas porque tua companhia me é agradável.
Não aches que posso fornecer-te o segredo da vida, eu o desconheço e nem sei se ele é singular ou plural, mas quero poder almejar descobri-lo contigo, ainda que na possibilidade de pluralidade achemos sentidos diversos.
Sou mais livre quando sei que escolhi montar a casa da minha alma ao lado da tua, mesmo que a precise desmontar carregarei o sentido de boa vizinhança. Mas entenda, não quero desmonta-la. Tua rua me é agradável e as xícaras de sal e açúcar sempre me rendem boas lembranças.
Talvez eu nunca descubra como cheguei aqui, talvez eu tenha perdido da manha de desejar outra casa, a tua é demasiadamente agradável. 

sábado, 31 de agosto de 2013

Minhas Janelas

Está bem escuro aqui fora, meus olhos (minhas janelas) não se acostumam, não consigo ver sequer um esboço das coisas que estão ao meu redor.
E eu... eu só quero ir pra casa.
Onde é a minha casa?

Faz tempo que não tenho casa.
Faz tempo que eu repouso num lugar, morro um pouquinho em outro, pra depois acordar, ressuscitar e ir de novo esperar algo da vida.

Bem achei ter casa, mas eu sou o caos, eu sou o caos.
Eu o carrego comigo a onde quer eu que siga, chego e faço tanta bagunça que é melhor não ter casa.
Talvez eu seja mesmo assim, talvez eu seja nômade, doente, louco.
Talvez eu seja assim mesmo, capaz de trazer o caos transvestido de plenitude.

Deixa estar, sou eu.
Mas meus olhos (essas minhas janelas) sempre foram sinceros.
Queria que eles conversassem.
O caos é esse, meu pensamento escapa pelos olhos antes de chegar a boca, não há som.
Eu deveria fechar as janelas e fazer como todo mundo faz, usar a porta, boca-porta.

"Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse:
- Vai, Carlos! ser gauche na vida."
Ah, Drummond, sigo gauche todo dia.
Mas meus olhos (minhas janelas) são sinceros. E como são.

Ainda que eu carregue o furacão, não sou assim tão forte.
Não.. não sou.

As janelas se fecham quando o sol já aqueceu dentro da casa.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Carta para o Amor

             Eu sempre preferi acreditar que pessoas como você existem, mesmo que eu não as encontre a cada esquina, ou em todo lugar, ou mesmo uma a cada mil quilômetros. Eu sempre preferi acreditar. Por isso, não tenho dúvidas do quanto eu tive sorte de achar você, de nos percebermos, de você estar no mesmo lugar que eu, de termos nos permitido viver essa história mesmo sem saber direito no que ela ia dar. Hoje, sou capaz de questionar qualquer coisa, menos a veracidade do que eu sinto ou a intensidade dos meus sentidos quando estou contigo. Você me faz sentir, nos instantes que estamos juntos, a verdadeira “vida viva” e mais do que isso, incentiva-me a busca-la todos os dias, na fé de que ela realmente pode ser alcançada (e há quem diga que eu não tenho mais fé).


            Você torna viva cada nota musical que toca no rádio. Você faz as cenas dos filmes se tornarem parte de mim. Faça frio ou calor, sol ou chuva, noite ou dia, nada, nada passa-me como insignificante quando estou do seu lado. Falta sentido na hora do adeus.

            Todas as escolhas que me levaram até você, todas as palavras que até agora foram ditas, ou não tão ditas assim. Sou grata por todas elas. Sou grata a mim e a você pelo voto de confiança que nos concedemos a cada passo que escolhemos dar para nos unirmos.

            Tem tanta coisa pra falar, tanta. Mas... quero te pedir em casamento. E por que eu? E por que agora? E por que assim?

Porque eu fiquei esperando você dizer o primeiro “eu te amo” e hoje acho que perdi tempo. Porque eu fiquei esperando você me pedir em namoro porque achava tudo recente demais. Porque se eu escrevo pra tudo, inclusive pra desengasgar as palavras que não saem, nunca saem, agora não seria diferente. Não quero todas as simbologias que esse pedido carrega. Não quero papel, testemunha, festa, branco, flores, um monte de gente pra contar história depois. Quero simples como a música do Dominguinhos... “ Não posso ficar sem você pois, viver sem você é viver pra chorar (...) Fica, meu amor, ou então me leva pra morar contigo.”
Qualquer lugar, longe ou perto, quero você aqui comigo. Eu, você e nossos livros, músicas, filmes e sonhos.

“Eu só aceito a condição de ter você só pra mim”
            A primeira mensagem, não?
Faço dela a conclusão. 

terça-feira, 9 de julho de 2013

O custo sem valor

Quanto vale uma vida?
Não, perdão... Valor, não.
Quanto custa uma vida?
Custo: Despesas, desembolso, o que se paga, gasto, dificuldade, fadiga.
A vida as vezes pesa tanto que deixa de ter valor e passa a ter custo.

Custo a dormir.
Custo a acordar.
Custo a levantar.
Custo a parecer acordada.

Tudo que tem valor, não tem espaço.
Tudo que se faz com sorriso, não tem momento.
Corre no que se gosta.
Aquieta no que se pesa.

Valor riso.
Valorizo.
Que me soltem o riso.
Que se prenda o ouriço... e seus espinhos.

Levanto-me todos os dias o mesmo horário.
Levantam-me.
Acordada? Não. De olhos abertos.

Deito-me todos os dias, não no mesmo horário.
Não tem momento para isso.
Durmo? Nem cheguei a despertar.

Sonho o mundo, sonho meus sonhos.
Todos aceitamos o presente doloroso contanto que nos permita os sonhos.
Hoje, esforço.
Amanhã, também.

O sonho não chega.

Penso que, talvez, a maior tragédia dessa vida
É o tempo que a gente passa correndo atrás do vento.
E não há libertação, não há.

O despertador soou...
Não há mais tempo para palavras.
Adeus.

domingo, 7 de julho de 2013

Luta

Sinto muito mas grilhões não me servem, que caiam.
E eu, no desejo mais intimo do meu ser, não quero que eles sirvam a mais ninguém e caiam.
Tenho motivos para lutar que me levarão a frente por uma vida inteira,
Custe o que custar.

Luto por elas que usam os grilhões e não percebem,
Pois eles já se tornaram sinônimo de beleza, delicadeza.
Luto contra todos aqueles que ainda acham que submissão é uma virtude
E ensinam isso para filhas e filhos.

Luto por elas que além de presas sofrem agressões
E por todas aquelas que ainda internalizam a resposta "a culpa é minha".
Luto por poder sair na claridade do dia e na escuridão da noite
Sem medo de estar desacompanhada.

Luto por ser companheira e não uma serva.
Luto por igualdade e não superioridade.
Luto por nós, luto por todas e todos.

Luto por todas que usam os grilhões em dose dupla,
Aqueles que deveriam ter sido extintos em 1888 e pelos que estão nelas e em mim
Desde que o mundo é mundo.

Luto por elas que se deram conta dos grilhões
E que amam, amam, amam.
Amam outras elas e que por amar sofrem.

Luto por elas que nasceram elas
Mas que o mundo insiste em dizer que são outros.

Luto por elas, por mim, por nós.
Eu luto.






sexta-feira, 31 de maio de 2013

Do hoje



De tanto me construir e destruir hoje sei que é os erros e acertos que me formam quanto humana.
O ontem se foi e deixou um legado ao hoje: me supere.
E assim os dias vão correndo...
Será que todo mundo já entendeu a diferença de viver e sobreviver?
E a diferença da briga e da luta?
E o espaço que há entre conviver e cativar?

Sabe... o tempo passa, corre, voa, se esvai.
O que eu pensava que seria, não foi.
O que jurava não querer, acabei por ter.
A vida não segue padrões, a sobrevivência que gosta de scripts.

Hoje é um daqueles dias que o ar tem aroma de liberdade,
Que dá vontade de abraçar o mundo com tanta força só pra dizer que amo o fato de estar viva.
Saudade de você, meu amor, saudade do teu abraço que me tira o folego,
Você é a minha maior expressão de liberdade.

Vamos andar por ai, ver estrelas e sorrir.
Que ninguém nos trave o riso.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Aos guardas


O meu espírito é maior que o meu corpo.
O meu espírito é maior que a minha casa.
O meu espírito é maior que meus ideais.
Ele simplesmente é maior, tão maior que espreme-se em mim e dá gritos de prazer e dor oscilados e desmedidos.

Ele brada explosões de rebeldia que não se justificam aos olhos dos guardas.
Afinal, quem guarda, zela ou aprisiona?
E quem define a linha tênue que divide isso?
Eu tenho dispensado todos os guardas-zeladores que vigiam meu espírito preso.
Estão todos dispensados! O trabalho de vocês já foi concluído.

Eu cumpri minha pena, meu espírito cumpriu comigo.
Daqui pra frente, não há mais o que prender, perder ou zelar.
Não há mais o que mudar, espírito que foge uma vez, fugirá sempre.
Os ataques de rebeldia tornar-se-ão frequentes, o trabalho dos guardas será desgastante.
Desgastante e desnecessários. Inúteis.

Por favor, eu não estou perdida!
Se eu cair não passarei do chão.
Não há feridas que não cicatrizem,
Não há dor que não ensine,
Não há medo de queda que compense perder os devaneios da vida.

Se vocês escolhem poupar-se dos devaneios e viver atrelado ao medo.
Não me obriguem a fazer o mesmo!
Não quero culpar a vida, o destino, o acaso ou os guardas por viver uma vida medíocre.
Não quero viver de "ses".

Um cadeado enferrujado se dobrará ao meu espírito.
Eu vejo. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O silêncio x O sonho

Qualquer caminho.
Qualquer lugar.
Desque fora de mim.

Tudo parece distante quando o silêncio decide chegar.
Ele entra mesmo que me negue a ceder espaço para ele.
Chega, entra e dói.
Ele afasta tudo!
As estrelas vão iluminar outro céu qualquer,
O mar regressa,
O porta-retrato fica opaco e minha cabeça dói.

Nada consegue conter o silêncio ou conviver com ele.
Nem eu.
Minha alma fica procurando brechas para sair.
Não o suporto!

De luz apagada vou inventar um sonho,
Meus olhos projetam, o teto é tv e o vento se faz trilha sonora.

O silêncio não compete com o meu imaginar.
Ele sabe que perde, sempre perde.
Ninguém pode com um sonho.

No sonho, as estrelas voltam,
O mar avança, o porta-retrato cria vida
E fico tonta.

Tudo estará de pé amanhã. 

Para além da lógica


De calmaria a tempestade em alguns segundos. 
Alguém já usou alguma frase assim pra definir um romance? 
Pois bem, eu usei. 
De onde tiraram a ideia que a tempestade é unicamente ruim? 
Tempestade, pra mim, é movimento, é ação, renovação.
E calmaria? É a tal da "paz que invadiu o meu coração de repente me encheu de paz..." que alguém canta por ai. 
Somos assim.


Nota como como somos confusos? 
Como posso ser racional e explosiva ao mesmo tempo? 
Como pode ser emocional e calmo junto comigo?
Não faz sentido... Não fazemos o menor sentido! 


Aliás, várias coisas não fazem sentido nesse romance. 
Até ontem, eu tinha decidido parar de acreditar em amores românticos. 
Até ontem, eu tinha parado de associar música a pessoas.
Até ontem, eu queria lutar sozinha por tudo que eu acredito. 
Até ontem... hoje não. 


Você chegou, parecendo a vida me dando olá e dizendo "as coisas nunca são como a gente espera, bobinha" e fez um verdadeiro reboliço dentro de mim. Resolveu provar que as coisas simples ainda fazem sentido pra algumas pessoas no mundo, que é verdadeiramente bom sentir que está enrubescendo da forma mais graciosa possível, que vale a pena sentir-se adolescente quando em vez, que nada muito sério consegue  ficar sem sorriso. 

O que fazer pra não permitir que se vá? 
Posso pedir que não vá?
Eu escolhi ficar aqui e acreditar que a vida pregou a peça mais bonita na gente.
Acabei por conhecer o lado bom dessa menina, a vida, que devia estar esperando o momento certo de sacar suas surpresas boas da bolsa e ir soltando-as todas de uma vez. 

Mas que se dane se isso por só um pico de felicidade! Seria capaz de suportar as tristezas mais profundas desde que você, sim, você esteja aqui. 
Que pelo menos você, seja aquela surpresa sem prazo de validade, imperecível, permante, meu, sem devolução ou troca. 

Porque você, anjo, me faz querer o infinito, buscar as estradas mais distantes, as clareiras mais abertas e os gostos mais doces. 
Porque você, anjo, faz todos os riscos serem menores que a vivacidade da loucura.
Apenas me sinto viva e isso já é tão suficiente. 

Eu amo você. Adoro você. Quero você. Sou de você. 
Segue...





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fora do tempo

Qual o sentido do tempo?
Não há mais.
Deixou de existir.
Foi-se.
Foi-se desde que as noites transbordaram e se misturaram com os dias mais claros. Desde que eu não me importo mais com o clima lá fora, aqui sempre está quente. Desde que você chegou aqui.
Dei pra sonhar.
Posso ficar dias sem alimentar-me com nada, além de você.
Me deixei ficar. Não soube dizer "não", na verdade, nem o quis. Ouvi-me como jamais me permiti antes.
Me diz, como querer sair daqui?
Se nunca uma prisão me pareceu tão boa, se daria a chave da solução do mundo para que não me deixes sair daqui e me ate a você.
Teu cheiro é inebriante, teu corpo atordoa.
Como foi que chegamos aqui mesmo?
Devagar, depressa, devagar, depressa.
Qual o significado disso?
Nos desatemos do tempo, deixe estar, deixe-me estar, aqui ou em qualquer outra prisão, "prisão livre".
Contrariedade sempre rimou com liberdade. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Meio bom, meio mau.


É tanto sol lá fora que dá vontade de amanhecer-se em si.
Hoje acordei mais cedo, quis ver o dia correndo, as nuvens passando, o vento mudando de direção.
Botei meu óculos escuro, fui andar pela avenida, tanto prédio, tanta gente, tanta coisa e pressa.
Fixei-me a olhar pra frente, vi teu sorriso, mudou-se para dentro de mim com tanta pressa que não pude evitar, fiquei sem chão.
Teu cheiro sorri e sobrepõe-se a selva de pedra, és meu.
Danço entre pensamentos, meus lábios sorriem, meus olhos brilham e as palavras tuas soam para mim com toda a malemolência de um conquistador barato.
Mas quero-te assim mesmo. Meio bom, meio mau, mau no boníssimo sentido que se pode ser.
Se suas palavras dançam sobre mim, deixo que as minhas dancem sobre você.
Vamos dançar? Que saiam as palavras e entremos nós.